Invasor Propolisado Na Entrada Do Ninho De Plebeia Spp. Foto: André Matos | S.O.S. Abelhas Sem Ferrão

Propolisando, propolisar a própolis

Própolis é um substantivo de dois gêneros, feminino e masculino, que em grego significa “em defesa da cidade”.

Originalmente é isso que as abelhas fazem ao propolisar seu ninho, protegendo-o contra microrganismos como os fungos e as bactérias, propolisando instrusos, mumificando invasores mortos e vedando frestas, o que também ajuda a manter estável a temperatura em seu interior.

Caixa racional vedada com própolis. Acima, uma bolota de própolis. Foto: André Matos | S.O.S. Abelhas Sem Ferrão

 

Quando fui convidada a escrever esse post, iniciei muitas leituras e levei cerca de seis meses até começar o rascunho. O que mais me motivou foi um presente que ganhei de uma amiga… um livro! Ele estava na estante de sua casa há muitos anos. Pertencia a seu marido, que por intermédio dela, me presenteou.

Sua história com a meliponicultura, ou melhor, com as abelhas indígenas, é bem antiga também… ele cuidava de algumas espécies em um sítio da família e o livro em questão, era seu guia!

Livro “A Criação de Abelhas Indígenas Sem Ferrão”, Paulo Nogueira Neto

Infelizmente, numa de suas idas ao sítio nos fins de semana, encontrou as caixas todas queimadas. Foi uma tristeza muito grande e assim desistiu de cuidar das abelhas. Algum tempo depois, nessas conversas que correm por aí, descobriu que elas tinham sido queimadas por causa de um incidente na região com as abelhas africanizadas… quanta ignorância!

Mas cá estou eu, muito feliz com o presente, e ele muito feliz em saber que o livro seria útil novamente. Trata-se do livro “A Criação De Abelhas Indígenas Sem Ferrão“, de Paulo Nogueira Neto, Segunda Edição – 1970.

Lendo o Capítulo II, deparei-me com uma bela descrição sobre a própolis… “Nos ninhos de meliponíneos, costumam existir acumulações de resina vegetal, chamada própolis. Em muitas espécies, como por exemplo nas da tribo Meliponini, o própolis guardado é pouco mole. Logo endurece completamente e não pode ser usado em outros lugares do ninho. Há, contudo, espécies como as JATAÍ e as MIRINS (Plebeia spp) que possuem depósitos de um própolis extremamente viscoso. Se um pequeno estilete fôr imerso nos mesmos e puxado em seguida, forma-se um verdadeiro fio de própolis, surpreendentemente longo.”

É ou não é o que chamo de ciência poética?

Hieróglifo de abelha da tumba do faraó Sesóstris I. Foto: Keith Schengili-Roberts

Sabemos hoje que as propriedades antibióticas e fungicidas desta substância já eram conhecidas pelos sacerdotes egípicios, pelos médicos gregos e romanos e posteriormente, por algumas culturas sul americanas.

Sua origem está nas resinas coletadas de brotos, exsudações e de outras partes do tecido vegetal, que são transformadas por processos enzimáticos, o que torna sua composição, cor, sabor e aroma muito variáveis.

Em seu último Manual de aproveitamento integral dos produtos das abelhas nativas sem ferrão, Jerônimo Villas-Bôas utiliza o termo própolis bruta, para designar uma mistura de resinas vegetais com cera, em uma proporção na qual as resinas predominam. É sobretudo encontrada nas trigoniformes (antiga tribo Trigonini).

Se ao invés da cera, as resinas vegetais forem misturadas ao barro, teremos a geoprópolis, produzida exclusivamente por espécies do gênero Melipona. E também no livro presenteado a mim, encontro referências sobre o que Paulo Nogueira Neto chama de batumes… “Nas espécies do gênero Melipona há formações grandes de barro, misturado finamente ao própolis. Essa mistura constitui o que denominei de geoprópolis.”

As atividades biológicas da própolis, nas suas diferentes formas, inclusive como geoprópolis, foram e continuam a ser estudadas extensivamente, sendo elas: antibacteriana, antifúngica, antiparasitária, antiviral, anti-inflamatória, antitumoral, citotóxica, hepatoprotetora, antioxidante e imunomoduladora.

Muito há que se pesquisar sobre a ação da própolis no organismo humano. Atualmente, fala-se de um suposto novo tipo de própolis, alguns diriam uma super própolis, o “ouro verde” produzido por abelhas Apis, a partir de uma planta conhecida como vassourinha-do-campo ou alecrim do campo, da espécie Baccharis dracunculifolia. 

Uma rápida busca na internet nos leva a muitas e até mesmo contraditórias informações. O melhor seria aguardar mais pesquisas e observar atentamente a fonte dessas informações.

Lembrando que prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém.