SOLITÁRIA

Monocultura Contribui para Sumiço de Abelhas


Abelhas e vespas solitárias são“ótimos indicadores ambientais”

Vida de insetos polinizadores depende de quantidade suficiente de floresta e de uso diversificado do solo.

Estudo realizado em fazendas do Corredor Ecológico Cantareira-Mantiqueira, região norte da cidade de São Paulo, revelou boa notícia sobre a vida de abelhas e vespas, insetos que andam desaparecendo da natureza. Naquele local, eles ainda são abundantes, apesar da ocupação urbana.

Para os pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Evolução de Abelhas e Vespas, do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, a quantidade de floresta nativa (mais de 50% da área) e a utilização diversificada das terras entre os fragmentos de Mata Atlântica são os principais fatores da preservação das espécies de insetos.


Tetrapedia sp, uma das espécies de abelha solitária identificada no levantamento

A ecóloga Paula Carolina Montagnana, responsável pela pesquisa, explica que se a região fosse dominada por monocultura (como a observada em diversos outros locais do estado de São Paulo, por exemplo), essas abelhas e vespas não teriam a mesma sorte para encontrar alimentos ou construir seus ninhos. “As abelhas e vespas solitárias têm autonomia de voo de cerca de 600 metros”, conta. O que vale dizer que precisam encontrar fontes de alimentação e condições de procriação dentro de uma área tal que não ultrapasse esse limite.

Na região estudada, a pesquisadora diz ter encontrado condições que favoreceram o maior número de espécies e quantidades de abelhas e vespas encontrado. Explica que numa escala de 1 km (linha reta de 1 km de comprimento traçada a partir do local de um ninho-armadilha) “haverá maior diversidade desses insetos se ao longo dessa reta houver locais com pastagem, floresta, agricultura, vilas rurais, entre outros tipos de uso da terra”. Mas também afirma ser igualmente importante a porcentagem de floresta que existe dentro de paisagens com 5 km de raio, que deve superar 50% dessa área.

Para as regiões em que grande parte da vegetação nativa já tenha sido retirada e a atividade humana é intensa, a ecóloga afirma que ainda assim é possível preservar algumas espécies. A recomendação é “que haja uma diversificação no uso da terra, principalmente com atividades de menor impacto como agroflorestas, locais de recuperação da vegetação nativa, agricultura orgânica, mas que também sejam preservados os locais de vegetação nativa já existentes”. Paula garante que essa diversidade é muito melhor para a vida de abelhas e vespas que paisagens onde há apenas um uso da terra, “como por exemplo, as áreas dominadas por grandes monoculturas de cana-de-açúcar, se pensarmos na região de Ribeirão Preto, ou nos plantios de soja, algodão e milho presentes no Centro-Oeste”.


Um dos suportes com ninhos-armadilha instalados na região da Cantareira em São Paulo-SP

As conclusões sobre como preservar a vida das abelhas e vespas vieram de informações coletadas ao longo de pesquisa de campo, realizada entre 2014 e 2018, e que deram origem à tese de doutorado que Paula apresentou recentemente à FFCLRP, com orientação do professor Carlos Alberto Garófalo. Ela conta que queria verificar a influência das diferentes formas de utilização do solo na vida de abelhas e vespas solitárias. Assim, confeccionou e instalou, em 29 pontos da região da Cantareira, ninhos-armadilha (pequenos tubos de cartolina preta e gomos de bambus) que ficaram disponíveis para essas espécies construírem seus ninhos.

A escolha pelas espécies solitárias, conta a pesquisadora, se deve ao fato da presença delas na natureza ser “ótimo indicador ambiental que pode ser extrapolado para as demais espécies de abelhas e vespas”. As abelhas são insetos polinizadores e as vespas, agentes de controle biológico. São chamadas solitárias pois, ao contrário dos insetos que formam colônias, elas utilizam cavidades preexistentes na natureza para fazer seu ninhos. Assim, entre os meses de setembro e março – os mais chuvosos e quentes do ano no estado de São Paulo e período de maior atividade e diversidades de insetos, Paula coletou todos os ninhos-armadilhas ocupados e os levou para o Laboratório de Ecologia e Evolução de Abelhas e Vespas, na USP em Ribeirão Preto.

Após monitoramento dos ninhos e identificação das espécies, encontrou 24 espécies de abelhas e 21, de vespas, comprovando a condição ecológica favorável do Corredor Cantareira-Mantiqueira. Mas, o destaque do estudo ficou por conta da constatação da importância do uso diversificado da terra e da quantidade suficiente de mata nativa (mais de 50% de preservação) para a sobrevivência desses insetos.

A escolha pelas espécies solitárias, conta a pesquisadora, se deve ao fato da presença delas na natureza ser “ótimo indicador ambiental que pode ser extrapolado para as demais espécies de abelhas e vespas”. As abelhas são insetos polinizadores e as vespas, agentes de controle biológico. São chamadas solitárias pois, ao contrário dos insetos que formam colônias, elas utilizam cavidades preexistentes na natureza para fazer seu ninhos. Assim, entre os meses de setembro e março – os mais chuvosos e quentes do ano no estado de São Paulo e período de maior atividade e diversidades de insetos, Paula coletou todos os ninhos-armadilhas ocupados e os levou para o Laboratório de Ecologia e Evolução de Abelhas e Vespas, na USP em Ribeirão Preto.

Após monitoramento dos ninhos e identificação das espécies, encontrou 24 espécies de abelhas e 21, de vespas, comprovando a condição ecológica favorável do Corredor Cantareira-Mantiqueira. Mas, o destaque do estudo ficou por conta da constatação da importância do uso diversificado da terra e da quantidade suficiente de mata nativa (mais de 50% de preservação) para a sobrevivência desses insetos.

Mais informações: paula-eco@hotmail.com
Por: Tainá Lourenço e Rita Stella
Fotos da pesquisadora

fonte: USP – Ribeirão Preto