Dona Maria Helena

Qual é a relação entre meliponicultura e qualidade de vida?

Vocês já pararam pra pensar qual é a relação entre meliponicultura e qualidade de vida?
Independentemente da resposta, confira o relato que nosso amigo Danilo Jack faz sobre a mudança que a meliponicultura e as abelhas sem ferrão geraram na vida da sua mãe, a Sra Maria Helena.

A dor em um dos pés ainda era intensa e não cedia à medicação. Fruto de problemas oriundos da artrose e de rompimentos do tendão, o pé esquerdo quase não tinha movimento.

A diabete, apesar de controlada, exigia um cardápio diferenciado e o uso sistemático de medicação, assim como a pressão arterial, que oscilava entre os intervalos dos remédios.

Caminhar era uma dificuldade, pois aos 84 anos a musculatura já não respondia como outrora, o que limitava suas atividades a pequenos afazeres domésticos, leituras e programas de tv.

Apesar do contato próximo com as plantas, faltava vida naquela casa, algo que a motivasse e despertasse o seu instinto de cuidado maternal.

Eis que uma certa manhã recebeu a tarefa de zelar pelo seu primeiro enxame de abelhas. Ficou um pouco desconfiada: “receberia picadas? Será que não seria alérgica?”.

Aos poucos foi se familiarizando com esse novo universo da meliponicultura e a sua vontade de aprender sobre as abelhas sem ferrão lhe abriu novos horizontes.

Diariamente passou acompanhar a rotina de suas novas hóspedes: verificava os horários em que abriam e fechavam o pito, fiscalizava a quantidade de pólen, assim como o movimento na colmeia, relatando aos filhos cada mudança de comportamento.

Tempos depois chegaram às iraís que, segundo ela, “eram menorzinhas e medrosas, mas muito espertas”.

Depois vieram as lambe-olhos que “colocavam o lixinho na portinha” e a deixavam hipnotizada acompanhando cada movimento daquelas minúsculas.

Com o inverno ficou incumbida de alimentá-las diariamente através de xarope que preparava com esmero e muito carinho.

De uns tempos pra cá algumas mudanças foram notadas… a musculatura se tornou mais firme permitindo – assim como suas hóspedes – alçar pequenas caminhadas ao comércio do bairro. As dores no pé foram diminuindo, a ponto de querer voltar a realizar sessões de fisioterapia que havia abandonado por se sentir desmotivada.

Este mês a senhora Maria Helena completa 84 anos, tem três filhos, duas netas, uma bisneta e… uma jataí, uma iraí, uma lambe-olhos e uma mirim droryana, as quais propiciaram um sopro de vitalidade na sua rotina tacanha e a motivaram a continuar amando a natureza!

Nossos sinceros parabéns à querida Sra. Maria Helena, agradecendo pelo seus dedicados préstimos às abelhas sem ferrão!

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Celso Barbiéri

Mestrando em Sustentabilidade e Bacharel em Gestão Ambiental pela USP. Diretor técnico-científico da SOS Abelhas sem Ferrão. Atualmente pesquisando abelhas sem ferrão, meliponicultura e ecologia urbana. Interessado em divulgação científica e em mostrar para as pessoas que aprender pode ser divertido. Praticante de Karatê, entusiasta de literatura fantástica e ficção científica. Jogador competitivo de Pokémon e fã de animes e mangás nas horas vagas.