Foto: Autoria Desconhecida, Local: Zoólogico De Brasília - Gavião Cinzento E Na Entrada Da Narina Abelha Nativa Sem Ferrão (Plebeia Sp).

As abelhas nativas e as aves de rapina

As abelhas nativas além da polinização, realizam interações ecológicas interessantes com outros organismos (veja o post sobre melitocoria), você sabia que um comportamento de coleta de materiais para o ninho pode auxiliar o bem estar de outros seres vivos? SIIIIIM, são as aves de rapina!

 

Isso mesmo, as abelhas nativas sem ferrão ajudam na manutenção da saúde das aves de rapina (gaviões, águias e corujas), denominamos esse tipo de relação de mutualismo, onde a interação estabelecida entre as espécies é de certa forma benéfica para ambas.

Que tipo de ajuda estamos falando? As aves produzem secreção pelo sistema respiratório (semelhante a nós humanos) e dependendo do volume produzido, pode ocasionar obstrução do trato respiratório superior (a famosa coriza), também existem  diversas patologias das aves que levam a produção exacerbada de secreção nasal, e as abelhas aproveitam essa condição para coletar esse recurso que além de sais minerais pode conter proteínas.

Foi o que observaram Antonini et al. 2004. onde um adulto de Harpia harpija, proveniente de um criadouro da Alemanha, local onde não há incidência de espécies de abelhas sem ferrão e o indivíduo apresentava dificuldades respiratórias constantes (respiração com bico aberto).

O mesmo foi enviado para cativeiro localizado em Belo Horizonte, e cerca de um mês após sua chegada houve melhoras no padrão respiratório (bico fechado), somado a este fato, observou-se a movimentação de pequenas abelhas de suas narinas, estas que removiam as secreções acumuladas no trato respiratório da ave (Foto). Importante acrescentar que a dificuldade respiratória impedia o bem estar do animal e também seus hábitos reprodutivos foram cessados, após recuperado a ave conseguiu reproduzir-se em cativeiro.

 

Foto: Julia Santoucy Barros, local: Zoólogico de Brasília – Gavião cinzento (Urubitinga coronata) e na entrada da narina abelha nativa sem ferrão (Plebeia sp).

Foto: Julia Santoucy Barros, local: Zoólogico de Brasília – Gavião cinzento (Urubitinga coronata) e na entrada da narina abelha nativa sem ferrão (Plebeia sp).

 

E você desconfiava de algum tipo de relação entre as abelhas e as aves da maneira apresentada? Deixe seu comentário!

 

Referências: http://www.seb-ecologia.org.br/viiiceb/pdf/716.pdf

Colaborou com conteúdo: Paulo Sirks (Conselheiro SOS)

Felipe Alves

Diretor Educacional, Médico Veterinário, Conheceu o SOS através conselheiro do SOS (Sidcley) e desde então, enxerga a Meliponicultura como uma janela de aprendizado em várias vertentes e a importância de cultivar e transmitir esse conhecimento adiante é uma questão primordial.
  • Daniel GS

    Que interessante! Sabemos muito pouco mesmo sobre a natureza e suas vantagens.

  • Gabriel Carvalho

    Interessante, mas uma vez que o animal estava em um criadouro na Alemanha e logo foi transladado para o Brasil não é possível atribuir alterações das suas condições físicas exclusivamente a esse interação (abelhas x Harpia). Enquanto ele estava sem abelhas limpando o muco na Alemanha ele também estava sob determinadas condições climáticas, manejo e alimentação, portanto é simplista atribuir o estado de saúde à ausência de abelhas. Logo quando chegou ao Brasil tudo isso mudou e notou-se a presença das abelhas e a melhora do animal. Atribuir a melhora à interação com as abelhas não é tanto tendencioso. Seria necessário avaliar animais privados da interação com abelhas e animais interagindo sob as mesmas condições climáticas, alimentares, de manejo e estágio de desenvolvimento simultaneamente para concluir que as abelhas de fato tem relação com a saúde deles.

  • Julia Santoucy

    Obrigada pelos creditos da foto! 🙂