Alimentaçao E Nutriçao

Introdução a alimentação e nutrição de abelhas sem ferrão.

No texto de hoje, vamos fazer uma introdução a alimentação e nutrição de abelhas, um tema muito discutido no meio da meliponicultura, mas que possui alguns pontos muito importantes de serem esclarecidos. 

O primeiro deles é a diferença entre os conceitos de alimentação e nutrição.

De forma simplificada, alimentação é o ato de ingerir alimentos, um ato voluntário onde se consome algum tipo de alimento. Já a nutrição é um ato involuntário que se inicia a partir da ingestão dos alimentos e vai desde a quebra desses alimentos para a obtenção de substâncias nutritivas até sua absorção pelo organismo.

 

Em outras palavras, nem sempre quando você alimenta suas abelhas com algum suplemento você está nutrindo as abelhas. Muitas vezes elas são atraídas pelo alimento, consomem mas nem sempre ele possui de fato algum valor nutricional relevante para o funcionamento de seu organismo ou do resto da colônia. É a mesma coisa que acontece com o organismo de um ser humano. Você pode se alimentar com um x-burguer, que tem carboidratos, proteínas, lipídios e até algumas fibras e vitaminas vindas da “salada”, mas ele não irá ter o mesmo efeito no seu corpo do que uma refeição completa, com os mesmos grupos alimentares em uma proporção correta e com menos substâncias nocivas. Obviamente você irá absorver nutrientes desses alimentos “pouco saudáveis” mas não da mesma forma que iria absorver em uma refeição saudável. O mesmo vale para as abelhas, o alimento artificial pode ser útil em diversas situações, mas de forma alguma substitui a alimentação natural das abelhas.

 

Esse é um dos motivos que nos levam a indicar antes de se pensar em alimentar as abelhas, investir um tempo plantando próximo ao seu meliponário e nos arredores com plantas nativas da região e que sirvam de fonte de recursos para as abelhas, esse processo de plantio deve sempre ser aliado de conscientização dos vizinhos sobre a importância das áreas verdes e do plantio de espécies nativas da região, e não de qualquer planta. Outro fator menosprezado e que deve ser levado em conta é a ocorrência natural das abelhas, não só em termos de faixa de ocorrência da espécie, mas também da região onde as suas colônias vem. Sempre recomendamos que se crie colônias da sua região, pois as abelhas estarão melhor adaptadas às condições climáticas e geneticamente “programadas” a encontrar os recursos florais locais com maior facilidade.

Sempre que possível iremos disponibilizar material de consulta sobre espécies de plantas que fornecem os recursos necessários para as abelhas.

De forma simplificada, as fontes de alimento das abelhas são:

Pólen: fonte de proteínas e lipídios, necessário para a construção do corpo das abelhas, fonte de hormônios vegetais e vitaminas;

Néctar: fonte de açúcares, sais minerais e outros micronutrientes, necessário como fonte de energia e substâncias necessárias para as funções básicas do metabolismo das abelhas.

Embora seja sempre recomendável que o meliponicultor cultive espécies de plantas que floresçam em diferentes épocas do ano, inclusive durante a seca ou inverno – período onde a baixa florada tende a forçar as abelhas a poupar esforços e recursos – existe a possibilidade de se suplementar a alimentação das abelhas nesses períodos, a fim de preservar a integridade das colônias, ou mesmo recuperar enxames enfraquecidos.

Para estes casos, existem diversas receitas de alimentação suplementar, algumas mais nutritivas e outras menos nutritivas. Pretendemos abordar esse assunto em breve, por ser um tema necessário para todos os meliponicultores, os cuidadores de abelhas sem ferrão, iniciantes ou experientes. Mas que fique claro: o bom meliponicultor é primeiro um preservacionista, é uma pessoa preocupada com o meio ambiente e que deve plantar, plantar e plantar para que as abelhas possuam onde se alimentar sozinhas. Nenhuma suplementação conhecida irá substituir a relação que as abelhas tem com as flores, principalmente das abelhas nativas com as plantas nativas.

 

Celso Barbiéri

Mestrando em Sustentabilidade e Bacharel em Gestão Ambiental pela USP. Diretor técnico-científico da SOS Abelhas sem Ferrão. Atualmente pesquisando abelhas sem ferrão, meliponicultura e ecologia urbana. Interessado em divulgação científica e em mostrar para as pessoas que aprender pode ser divertido. Praticante de Karatê, entusiasta de literatura fantástica e ficção científica. Jogador competitivo de Pokémon e fã de animes e mangás nas horas vagas.
  • Oi pessoal
    Esse site é mesmo surpreendente, queria dar os parabéns pelo trabalho de vocês.
    Sempre é bom obter novos conhecimentos, obrigado 😉

  • oi gente
    gostei muito desse site, parabéns pelo trabalho. 😉

  • Gostei muito do que li aqui no seu site.Estou estudando o assunto,Mas quero agradecer por que seu texto foi muito valido. Obrigado 🙂

    • Celso Barbiéri

      Muito obrigado Felipe, por todas essas mensagens incentivadoras! Queremos melhorar e postar cada vez mais conteúdo de qualidade!

  • Gleidson

    Excelente matéria. Devemos estimular nas pessoas o censo de preservação, caso contrário, o futuro será muito mais duvidoso. Sou iniciante na Meliponicultura e uso o site como fonte de informações. Parabéns!

  • oi gente
    muito interessante esse site, gostaria de dar os parabéns pelo excelente conteúdo.Foi muito útil para mim
    Obrigada 😉

  • oi gente
    adorei o site, muito interessante o conteúdo.
    Parabéns 😉

  • Gostei.

  • José Neri Lira

    tenho um pequeno meliponario de abelhas nativas, tipo Jataí, uruçu, e borá(jataizão). oque fazer para espantar os furideos?

    • Felipe Alves

      Olá José Néri, com relação aos forídeos a melhor técnica é manter os enxames fortes, os forídeos se interessam quando há desorganização ou enfraquecimento de enxame (geralmente após manejo). Caso haja infestação de larvas é necessário fazer troca de caixa e catação manual das larvas.